
O mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos está a atravessar um período de ajustamento severo neste arranque de 2026. De acordo com os dados mais recentes da Cox Automotive, as matrículas de novos automóveis a bateria registaram uma queda homóloga de 28% no primeiro trimestre do ano. Esta descida surge como uma consequência direta do fim do crédito fiscal federal de 7.500 dólares (cerca de 6.950 euros), que servia de "ponte" para tornar os preços dos modelos elétricos competitivos face aos veículos a combustão.
O impacto do fim dos apoios estatais
A ausência dos incentivos financeiros que expiraram no final do ano passado alterou visivelmente o comportamento dos consumidores norte-americanos. No primeiro trimestre de 2025, o mercado tinha registado mais de 296 mil unidades vendidas, um valor que contrasta fortemente com as 212.600 unidades contabilizadas no mesmo período de 2026. Esta contração fez com que a quota de mercado dos elétricos estagnasse nos 5,8%, longe do recorde de 7,5% alcançado no terceiro trimestre de 2025.
Esta mudança de cenário está a criar desafios adicionais para os concessionários. Atualmente, um carro elétrico novo demora, em média, 130 dias a ser vendido, enquanto um modelo a gasolina sai do stand em apenas 89 dias. Este excesso de inventário tem forçado uma descida nos preços médios de transação, que se fixaram nos 55.300 dólares (aproximadamente 51.300 euros) em fevereiro, reduzindo a diferença de custo para os modelos térmicos para um mínimo histórico.
Mercado de usados e híbridos em contraciclo
Curiosamente, enquanto os modelos novos enfrentam dificuldades, os veículos elétricos usados estão a ganhar uma nova vida. As vendas neste segmento subiram 12%, com os consumidores a aproveitarem preços que são agora muito semelhantes aos das variantes a gasolina. Além disso, os usados a bateria vendem-se muito mais rápido, permanecendo nos stands apenas 42 dias.
Por outro lado, os modelos híbridos tornaram-se o refúgio para quem procura poupar no combustível. Com a subida dos preços da gasolina motivada pelo conflito no Irão, este segmento disparou 57%, atingindo as 756 mil unidades vendidas. No topo das vendas de elétricos puros, a Tesla continua a dominar com uma quota de 57,5%, conseguindo resistir melhor à crise do que a concorrência direta, com uma queda de volume de apenas 4,6% num mercado que recuou mais de um quarto.












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