
O presidente norte-americano Donald Trump alegou ter garantido a libertação de oito mulheres iranianas condenadas à morte, num anúncio que gerou rapidamente um intenso debate. Acompanhando a declaração com uma colagem de retratos visivelmente alterados e com iluminação artificial, a publicação despertou de imediato acusações de uso de inteligência artificial. A situação agravou-se quando a agência de notícias estatal iraniana Mizan desmentiu a versão do líder político, classificando-a como falsa, conforme os detalhes partilhados no relatório da Reuters.
A disputa de narrativas online
O confronto de informações atingiu proporções virais na rede social X, onde vários utilizadores ridicularizaram a aparente tentativa de salvar figuras geradas por computador. A Mizan sublinhou que algumas das ativistas já tinham sido libertadas e que outras enfrentam penas de prisão, rejeitando a existência de qualquer concessão a Washington. A própria conta da embaixada iraniana na África do Sul juntou-se à polémica, publicando a sua própria versão de imagens digitais para ironizar a situação.
A ironia ganha contornos mais complexos ao verificar-se que a conta responsável por algumas das críticas mais partilhadas a Trump é a mesma que esteve envolvida na disseminação de um vídeo enganoso que colocou o presidente sul-coreano Lee Jae-myung sob forte escrutínio, apesar de outro conteúdo documental sobre soldados ser real. Este histórico demonstra a volatilidade da informação que é consumida atualmente nas plataformas digitais.
A verdadeira face por trás dos pixéis
Apesar da edição extrema aplicada à colagem original, as mulheres representadas são pessoas reais. Mahsa Alimardani, diretora associada do programa de Ameaças Tecnológicas da organização WITNESS, confirmou a identidade de pelo menos seis destas ativistas: Bita Hemmati, Mahboubeh Shabani, Venus Hossein-Nejad, Golnaz Naraghi, Diana Taherabadi e Ghazal Ghalandri. Todas participaram ativamente nos protestos contra o governo em janeiro.
Destas, apenas Bita Hemmati tem uma sentença de morte confirmada pelo Tribunal Revolucionário de Teerão, acusada de ações hostis contra o Estado. As identidades das outras duas mulheres, indicadas como Panah Movahedi e Ensieh Nejati, permanecem por verificar. No meio da guerra de narrativas e das trocas de acusações digitais constantes, a dura realidade prevalece: estas ativistas continuam a ser pessoas reais, cujas vidas acabaram reduzidas a ferramentas de propaganda política e paródia na internet.












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