
Comprar uma placa gráfica de gama média ou alta está prestes a tornar-se num verdadeiro desafio financeiro. O problema deixou de estar centrado apenas na evolução do processador gráfico, estendendo-se agora a todo o ecossistema de fabrico. De acordo com uma investigação detalhada do Igor’s LAB, os custos dos materiais estão a atingir patamares críticos. Modelos bastante populares como a RX 9070 XT, que ainda podem ser encontrados na Alemanha por valores entre os 660 e 670 euros, refletem apenas o stock antigo nas prateleiras, estando iminente uma subida drástica nos preços das novas remesas.
O peso dramático da memória no custo final
O grande responsável por esta escalada é o Bill of Materials (BOM), o custo bruto dos materiais necessários para a construção da gráfica antes de se contabilizarem as despesas logísticas, os testes e os impostos. A investigação focou-se na RX 9070 XT, muito procurada pelo seu rácio de desempenho. Enquanto o chip gráfico Navi 48 sofreu um aumento ligeiro e controlável — passando de cerca de 85 a 100 euros na primavera de 2025 para valores entre os 90 e 105 euros em maio de 2026 —, o verdadeiro rombo nos orçamentos surgiu noutro componente vital.
Os 16 GB de memória GDDR6 sofreram um aumento avassalador no mercado. O preço deste componente saltou de uma base de 110 a 140 euros para uns pesados 250 a 280 euros. A juntar a isto, elementos essenciais como o PCB, os módulos de regulação de tensão (VRM) e os conetores também encareceram, a par dos sistemas de dissipação, das carcaças e das placas traseiras.
Na linha de montagem, a pressão continua. Os custos de testes e embalagem subiram, ao passo que a margem de lucro dos parceiros que montam as placas encolheu de forma alarmante para uma franja entre os 15 e os 35 euros por unidade. Feitas as contas na origem asiática, o custo base passou de cerca de 370 euros para um máximo de 570 euros, o que explica a enorme fatura que será passada ao consumidor final.
Novas gerações e o fim das opções económicas
Na prática, uma RX 9070 XT simples, que hoje ronda os 660 euros, poderá passar a ter um custo nas lojas situado entre os 850 e os 900 euros, traduzindo-se num aumento direto que pode facilmente oscilar entre os 180 e os 230 euros para os jogadores.
A concorrência também não passará imune. A nova família de placas RTX 50 enfrentará a mesma asfixia financeira. Modelos como a RTX 5070 Ti, equipada com 16 GB de GDDR7, recorrem a módulos de comunicação ainda mais rápidos e consideravelmente mais dispendiosos, o que agrava a fatura da produção. A versão base RTX 5070, com 12 GB de GDDR7, consegue atenuar parte deste impacto de fabrico, mas fica numa posição menos vantajosa a longo prazo devido à menor capacidade de VRAM.
Para sobreviverem a esta espiral de custos e não encerrarem operações, os fabricantes estão a ser forçados a redefinir as suas estratégias. A tendência global aponta para a eliminação silenciosa dos modelos mais baratos recomendados pelas marcas (MSRP), apostando-se na comercialização exclusiva de edições premium, onde as margens de lucro ainda conseguem absorver este choque de mercado. Se a situação não inverter, estas subidas dolorosas deverão consolidar-se antes que 2026 chegue ao fim.












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