
A Microsoft concordou em pagar cerca de 230 milhões de euros (250 milhões de dólares) para resolver uma ação coletiva movida por acionistas da Activision Blizzard. O caso, que se arrastava nos tribunais, ameaçava trazer novamente a público as antigas alegações de má conduta no local de trabalho que ensombraram a produtora antes da sua venda.
Segundo avança o Game Rant, um aviso preliminar de acordo foi apresentado num tribunal do Delaware em finais de maio de 2026, pondo fim a uma disputa legal que durou quatro anos.
O motivo da queixa dos acionistas
O processo foi iniciado em 2022 pelo fundo de pensões sueco Sjunde AP-Fonden. A entidade argumentava que a Activision Blizzard se apressou a vender a empresa, retirando aos acionistas a oportunidade de obterem um valor superior à oferta de 87 euros (95 dólares) por ação. Os queixosos acusavam o antigo diretor executivo, Bobby Kotick, de acelerar o negócio para proteger o seu próprio cargo, numa altura em que a companhia enfrentava uma forte pressão devido a alegações de ambiente de trabalho inadequado.
Com o passar do tempo, o caso ganhou notoriedade não só por desafiar a fusão, mas também por voltar a colocar o foco nas polémicas internas da empresa de videojogos.
Os detalhes do acordo milionário
Nos termos do documento agora tornado público, a empresa compromete-se a pagar o valor estipulado, sem que nenhuma das partes admita qualquer culpa. Este montante vai traduzir-se em cerca de 28 cêntimos por ação para os antigos investidores. Qualquer pessoa que detivesse ações da editora entre o anúncio da aquisição, em janeiro de 2022, e a sua conclusão, em outubro de 2023, poderá receber uma compensação, caso o juiz aprove o acordo na sua forma atual.
Numa declaração submetida a tribunal no início de 2026, a gigante tecnológica justificou a decisão com a necessidade de evitar os custos, o peso e a distração de um litígio prolongado. A empresa também rejeitou as acusações de que a Activision teria permitido uma má conduta sistémica ou que a sua administração teria agido de forma inadequada. A própria acusação recuou nalguns pontos, reconhecendo que alegações anteriores baseadas num processo do Estado da Califórnia nunca foram comprovadas por uma investigação independente. O caso da Califórnia tinha sido encerrado em dezembro de 2023 com o pagamento de uma coima.
O negócio que uniu as duas empresas foi inicialmente anunciado por cerca de 63 mil milhões de euros, tornando-se a maior aquisição não só no setor do gaming, mas em toda a indústria tecnológica. Após a integração oficial, o valor total da compra foi estabelecido em mais de 69 mil milhões de euros. Tendo em conta este último valor, o acordo agora alcançado representa um aumento de apenas 0,33% no custo final da operação.












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