
A exploração espacial entregou uma semana repleta de contrastes marcantes para a indústria. Enquanto a NASA partilhou detalhes sobre os voos do seu avião experimental silencioso e o telescópio James Webb fez uma descoberta histórica, empresas privadas como a SpaceX e a Blue Origin lidam com explosões de foguetões e investigações federais que suspendem temporariamente os seus ambiciosos planos.
Aceleração do avião supersónico silencioso da agência espacial
A agência espacial norte-americana tem passado a última década a desenvolver uma aeronave capaz de quebrar a barreira do som sem gerar o estrondo ensurdecedor habitual. O modelo X-59 realizou o seu voo inaugural em outubro e passou por vários testes nos últimos meses. Segundo a entidade, o próximo passo crítico acontece no início de junho, altura em que o avião fará o seu primeiro voo supersónico, devendo atingir velocidades superiores a 1014 km/h a uma altitude de cerca de 13100 metros.
Os testes de condições de missão vão depois empurrar a máquina para os 1488 km/h, o equivalente a Mach 1.4, a 16700 metros de altitude. O objetivo final é atingir a velocidade máxima de Mach 1.6, ou cerca de 1960 km/h, a mais de 18200 metros. Apesar destes avanços práticos, a agência alertou que as capacidades silenciosas do X-59 ainda não serão totalmente percetíveis nesta fase, visto que a aeronave será acompanhada por um avião de perseguição tradicional que irá abafar qualquer som furtivo com o seu próprio estrondo sónico convencional.
Falha do propulsor dita pausa nos voos de Elon Musk
A nave Starship V3 levantou voo na semana passada para um teste que cumpriu grande parte dos objetivos estipulados pela empresa. No entanto, o voo número 12, realizado a 22 de maio, não decorreu sem sobressaltos significativos. A Administração Federal de Aviação americana, também conhecida como FAA, ordenou a suspensão dos voos do sistema enquanto investiga uma anomalia grave que impediu o propulsor Super Heavy de realizar uma amaragem suave controlada.
O problema ocorreu logo após a separação dos estágios. A empresa explicou que o propulsor tentou executar a manobra direcional e a queima de retorno, mas não conseguiu acender todos os motores planeados. Isto resultou numa queima parcial que terminou cedo e levou a um impacto violento nas águas do Golfo da América, enquanto o estágio superior da nave prosseguiu e concluiu a sua viagem no Oceano Índico. A FAA classificou o evento como um acidente, embora sem danos à propriedade pública ou ferimentos, e vai agora supervisionar todos os passos da investigação interna antes de aprovar relatórios e autorizar o regresso da nave aos céus. Trata-se de um procedimento comum que já aconteceu no passado, com aprovações geralmente ágeis caso a segurança pública não esteja comprometida.
Explosão inesperada e um vislumbre do início do universo
A Blue Origin, uma das principais empresas concorrentes no setor, também enfrentou um duro revés prático. A FAA tinha suspendido os voos do foguetão New Glenn no mês passado após a sua terceira missão, tendo autorizado a retoma das operações no início desta semana. Contudo, durante um teste de ignição a decorrer na sexta-feira, o foguetão acabou por explodir de forma repentina na base de lançamento em Cabo Canaveral.
Numa nota muito mais animadora para a ciência astronómica, o telescópio espacial James Webb voltou a surpreender a comunidade de investigadores. O observatório conseguiu detetar um buraco negro supermassivo que, de acordo com os cientistas envolvidos na observação, poderá ter-se formado logo no primeiro segundo após o Big Bang, desvendando mais um pedaço da complexa origem do nosso universo.












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