
A guerra e as sanções internacionais deixaram a Rússia sem acesso a tecnologia vital. Para contornar este bloqueio, Moscovo está a recorrer a táticas extremas. Segundo as informações avançadas pela Associated Press, os serviços de inteligência europeus alertam que a Rússia está a criar empresas falsas, a recrutar intermediários e a usar piratas informáticos para recolher dados críticos e atacar infraestruturas da Europa.
O impacto das sanções cortou o acesso russo a atualizações de software essenciais para servidores, computadores e smartphones, além de máquinas industriais. Com as capacidades de ataque e defesa severamente limitadas e à beira da rutura financeira, a ordem agora passa por adquirir equipamento de ponta de forma ilícita para manter os sistemas militares ativos.
Alvos estratégicos da espionagem russa
Christoffer Wedelin, do serviço de segurança da Suécia, refere que os operacionais russos sabem exatamente o que procuram. O foco incide intensamente sobre a indústria de defesa sueca e a investigação avançada, com especial interesse em obter sistemas de lasers e câmaras para integrar no seu próprio armamento.
Por sua vez, Juha Martelius, diretor das secretas da Finlândia, sublinha que o objetivo central de Moscovo é obter uma vantagem sobre o Ocidente. Os alvos estendem-se a áreas críticas como a tecnologia quântica, a exploração espacial e o ambiente marinho no Ártico.
Riscos elevados e detenções
A urgência nestas operações alterou o comportamento dos agentes russos. As autoridades notam que estes operacionais já não se preocupam em ocultar o seu rasto após as atividades, assumindo riscos substancialmente maiores para alcançar os seus objetivos.
Esta postura imprudente resultou em várias detenções recentes. Em setembro de 2025, a polícia dos Países Baixos deteve dois jovens de 17 anos por intercetarem redes sem fios nas sedes de agências policiais europeias, após terem sido recrutados pela inteligência russa. Mais recentemente, na semana passada, um consultor e um pianista foram detidos no mesmo país por alojarem infraestruturas digitais para o NoName057(16), um conhecido grupo de piratas informáticos pró-russo que ataca a Ucrânia e os seus aliados.
O cenário de ameaça estende-se ao Reino Unido. Anne Keast-Butler, diretora da agência de inteligência britânica, acusou Moscovo de visar implacavelmente o país e os seus aliados através do roubo tecnológico e do planeamento de sabotagens e tentativas de assassinato.












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