
Encontrar casa para arrendar em Portugal está cada vez mais desafiante. Segundo dados recentes do Imovirtual, a procura por arrendamento disparou 256,1% entre fevereiro e abril de 2026, quando comparada com o mesmo período do ano passado. Este salto é ainda mais impressionante quando percebemos que superou largamente o crescimento do mercado de compra e venda, que se ficou pelos 150,4%.
A tendência de subida manteve-se constante ao longo de todo o trimestre analisado. Fevereiro e março foram os meses mais intensos, concentrando a maior fatia das pesquisas e registando crescimentos homólogos a rondar os 300%. Abril fechou o ciclo com um aumento de 186,3%, mostrando que o ritmo do mercado continua bastante acelerado e sem sinais de abrandamento.
O mapa do arrendamento está a mudar
Historicamente, Lisboa e o Porto sempre foram os reis da procura, e continuam a liderar a tabela nacional. No entanto, os números mostram que ambos os distritos perderam uma ligeira quota de interesse relativo face ao ano anterior. A grande surpresa deste ano é Braga, que se destacou como o único distrito do top 10 a ganhar peso nas pesquisas, com um impressionante salto homólogo de 280,8%.
Olhando para os concelhos, a capital e a cidade invicta mantêm-se no topo, acompanhadas por Sintra. Contudo, é Cascais que rouba as atenções com um aumento de quase 382% nas procuras. Outros locais como Matosinhos e Coimbra também acompanharam esta onda de crescimento, ganhando tração no mercado nacional.
Sylvia Bozzo, responsável de marketing do portal, sublinha que o mercado está sob uma pressão enorme e cada vez mais competitivo. Com as rendas em alta e a oferta escassa, as pessoas estão a alargar o seu raio de pesquisa para zonas periféricas em busca do equilíbrio perfeito entre o preço, a localização e o tamanho do imóvel.
Esta fuga dos grandes centros urbanos nota-se também no interesse crescente por locais menos óbvios e com menor peso histórico. Concelhos como Benavente, Cinfães, Sobral de Monte Agraço, Lourinhã, Pombal, Vila Nova de Famalicão, Montijo e Évora começam a destacar-se, provando que os utilizadores estão dispostos a explorar localizações alternativas.
Famílias precisam de mais espaço
O tipo de habitação procurada também sofreu alterações interessantes em 2026. Os apartamentos com dois quartos (T2) continuam a ser os favoritos absolutos, representando quase um quinto de todas as pesquisas e registando um aumento de 288,9%. Seguem-se de perto os T3, que também viram o seu peso subir no mercado.
O que realmente salta à vista é o aumento estratosférico na procura por tipologias T4, que disparou 417% face ao ano transato. Este cenário sugere que muitas famílias, perante os preços proibitivos de comprar uma habitação maior, estão a optar pelo arrendamento de casas com mais divisões. Ao mesmo tempo, os T1 continuam a crescer de forma sustentada na casa dos 319%, sendo a escolha de eleição para estudantes, jovens profissionais e todos aqueles que procuram modelos de vida mais flexíveis e ágeis.












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