
De acordo com informações do Tom's Hardware, uma nova colaboração entre a Google e a Universidade da Califórnia está a transformar smartphones velhos em infraestruturas de processamento de baixo custo. O projeto visa encontrar alternativas viáveis para combater as despesas astronómicas associadas ao hardware moderno, reaproveitando a potência bruta dos chips esquecidos nas gavetas.
O peso financeiro da inteligência artificial
Neste ano de 2026, as gigantes tecnológicas norte-americanas, incluindo a Amazon, Meta e Microsoft, já investiram mais de 550 mil milhões de euros (cerca de 600 mil milhões de dólares) no setor informático. Esta quantia recorde reflete a necessidade constante de expandir infraestruturas, construir novos edifícios, implementar sistemas de arrefecimento massivos e até garantir energia proveniente de centrais nucleares para alimentar modelos de inteligência artificial.
Para contornar estes custos operacionais e de aquisição exorbitantes, os investigadores procuraram alternativas na tecnologia de consumo. A resposta foi encontrada nos equipamentos móveis que habitualmente acabariam em aterros como lixo eletrónico.

Potência escondida nos equipamentos móveis
A iniciativa foca-se em telemóveis com cerca de três anos de uso. Apesar de não conseguirem competir no desempenho multitarefa puro com processadores corporativos modernos, a arquitetura Arm destes dispositivos destaca-se pela sua eficiência energética e pelo elevado desempenho em tarefas de núcleo único.
Os testes práticos revelaram resultados surpreendentes: um conjunto de apenas 25 a 50 telemóveis conseguiu igualar a capacidade de processamento de um sistema com um processador EPYC de duplo socket. Para efeitos de comparação, um bastidor tradicional como o Asus RS720A-E11, equipado com unidades de 64 núcleos a 280W, perde na métrica de desempenho individual por núcleo quando comparado com esta arquitetura móvel agrupada.

Transformação em servidores funcionais
Para converter os equipamentos em nós informáticos eficientes, os cientistas removeram todos os componentes supérfluos. Os ecrãs, baterias, câmaras, altifalantes e as próprias estruturas de chassis foram descartados, preservando-se unicamente a placa principal com o processador integrado.
O passo seguinte envolveu a substituição do sistema operativo de fábrica. O Android deu lugar a distribuições Linux, muito mais otimizadas para gerir recursos num formato de rede partilhada.
Atualmente, um agrupamento com apenas 20 destas placas modificadas suporta uma aplicação para uma turma universitária de 75 alunos. Os planos de expansão são ambiciosos, com a meta de interligar até 2000 unidades num centro local. Esta instalação terá a robustez necessária para gerir cem aulas em simultâneo e servir mais de 7500 estudantes, tudo por uma ínfima fração do preço exigido por uma infraestrutura convencional.












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