
As plataformas de vídeo e entretenimento TikTok e YouTube eliminaram um total de 4,7 milhões de perfis pertencentes a menores de 16 anos na Indonésia. Esta purga massiva surge no seguimento de uma nova e rigorosa regulamentação nacional que bloqueia o acesso dos mais jovens às plataformas digitais, colocando o país asiático na vanguarda do controlo parental tecnológico.
A pressão governamental sobre as plataformas
A ministra da Comunicação e Assuntos Digitais da Indonésia, Meutya Hafid, confirmou que as gigantes tecnológicas começaram a cumprir as obrigações de proteção infantil estipuladas pelo governo local e incitou as restantes operadoras do mercado a seguirem a mesma conduta. Os dados mostram que o esforço de limpeza ocorreu a ritmos diferentes: a rede social chinesa encerrou 4,1 milhões de contas até junho, enquanto a plataforma de vídeos norte-americana eliminou cerca de 600 mil utilizadores nesta faixa etária até ao mês de maio.
As restrições entraram em vigor a 28 de março, fazendo da Indonésia o primeiro país do Sudeste Asiático a avançar com uma proibição de acesso tão drástica. O efeito dominó na região foi rápido, com a vizinha Malásia a implementar bloqueios semelhantes logo a 1 de junho. Estas medidas asiáticas seguem o exemplo original da Austrália, que aplica cortes desde dezembro. A novidade está também a chegar à Europa, com países vizinhos como Espanha a manifestarem a firme intenção de adotar legislações equivalentes. Isto abre um precedente claro para que o debate e futuras restrições cheguem em breve a Portugal e ao resto da União Europeia.
O impacto em dezenas de milhões de utilizadores
A diretiva digital indonésia afeta de forma direta cerca de 70 milhões de jovens e abrange as oito plataformas de maior peso na internet: TikTok, Facebook, Instagram, Threads, X, Bigo Live, Roblox e a já referida plataforma de partilha de vídeos. As empresas que não garantirem o cumprimento destas exigências restritivas enfrentam severas sanções económicas impostas pelo executivo.
Para já, o grande desafio centra-se na execução técnica da medida. O governo deixou ao critério de cada empresa o desenvolvimento e aplicação dos seus próprios sistemas de monitorização para detetar e suspender os perfis geridos por menores. Os pormenores exatos dos métodos de deteção e de verificação de idade utilizados não foram revelados pelas marcas, levantando questões sobre a precisão das eliminações. Para o mercado europeu e português, este movimento global serve como um aviso de que os sistemas estritos de verificação de identidade nas redes sociais estão cada vez mais próximos de se tornarem o padrão na indústria.












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