
A digitalização dos exames nacionais do ensino secundário está a enfrentar sérios constrangimentos, com uma nova interrupção temporária do sistema de avaliação agendada para a meia-noite desta quarta-feira. A revelação surge numa altura em que encarregados de educação exigem a anulação das provas devido a falhas informáticas acumuladas, conforme avançou a SIC Notícias.
Erros informáticos condicionam trabalho dos professores
Os docentes responsáveis pela classificação das provas receberam um aviso que dá conta de mais uma paragem forçada na infraestrutura informática para uma intervenção de manutenção. Esta indisponibilidade sucede a um encerramento de emergência no passado domingo, motivado por uma vulnerabilidade de segurança que deixou a aplicação offline até à tarde de segunda-feira. O Ministério da Educação não detalhou publicamente a natureza exata dessa falha de segurança, deixando uma lacuna na informação sobre a real proteção dos dados dos estudantes.
Este ano letivo marca a estreia de um modelo de transição digital em Portugal: os testes do 11.º e 12.º anos continuam a ser respondidos fisicamente em papel, mas a sua correção foi totalmente transferida para o ambiente informático. O fluxo exige a digitalização completa de todas as folhas de resposta antes da sua distribuição remota aos avaliadores, mas a infraestrutura tecnológica não tem demonstrado capacidade para responder à procura. Professores queixam-se de atrasos graves no acesso aos ficheiros e de erros na digitalização das respostas.
Milhares de famílias exigem anulação das provas secundárias
A instabilidade crónica do software gerou uma forte onda de contestação entre os encarregados de educação e os próprios alunos, que temem injustiças graves no acesso ao ensino superior. Uma petição pública com mais de 5700 assinaturas já deu entrada com um pedido radical: a anulação total destes exames nacionais. Os subscritores defendem que as notas obtidas através da avaliação contínua interna sejam utilizadas como critério definitivo de acesso às universidades, salvaguardando a igualdade de oportunidades.
Para os estudantes que dependem destas classificações para garantir uma vaga académica, este impasse na plataforma traduz-se numa ansiedade acrescida em pleno verão. O calendário oficial já sofreu alterações significativas devido aos sucessivos constrangimentos. A segunda fase das provas secundárias, originalmente prevista para arrancar a 16 de julho, foi reagendada para o período de 20 a 24 de julho. Caso a petição atinja as 7500 assinaturas, o tema terá de ser obrigatoriamente debatido em sessão plenária na Assembleia da República.












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