
O aumento drástico no preço das memórias RAM está a sufocar o mercado de telemóveis de gama de entrada, forçando os fabricantes a abandonar os modelos mais económicos ou a reduzir a qualidade geral dos equipamentos. De acordo com um relatório publicado pela Omdia, o mercado de dispositivos comercializados abaixo dos 400 dólares (cerca de 370 euros) vai sofrer uma contração anual de 22%, à medida que as marcas perdem as margens de lucro nestes equipamentos.
O peso sufocante dos custos de fabrico
Para os telemóveis considerados de gama ultra baixa, vendidos por valores iguais ou inferiores a 100 euros, a memória RAM passou a representar uns impressionantes 64% do custo total dos materiais. No segmento entre os 100 e os 400 euros, o impacto não fica muito atrás, com a memória a absorver até 59% do custo de produção. Este cenário crítico surge após o preço dos componentes ter praticamente duplicado nos últimos meses em comparação com o terceiro trimestre do ano passado, criando um cenário desafiante no setor, tal como se verificou quando a Samsung ajustou os seus preços face à crise global de memórias.
Marcas alteram planos e sacrificam componentes
Com os consumidores deste segmento a mostrarem-se altamente sensíveis a oscilações no preço, as marcas encontram-se num impasse económico. A solução imediata tem passado por retirar estes modelos do catálogo ou avançar para cortes substanciais noutras especificações técnicas. Para compensar o encargo com a RAM, os fabricantes reduzem a qualidade dos painéis do ecrã, eliminam sensores fotográficos ou recorrem a processadores de gerações anteriores.
A Motorola adotou esta estratégia ao manter os mesmos chipsets em grande parte dos seus lançamentos recentes. Da mesma forma, o recém-lançado Nothing Phone 4b acabou por ser empurrado para um preço de venda muito próximo de modelos teoricamente mais avançados devido a estas pressões logísticas. Em contrapartida, o segmento premium acima dos 400 euros continua a crescer, com uma subida prevista de 5,7% nos envios mundiais. Para os utilizadores em Portugal, esta tendência significa que encontrar um equipamento económico e equilibrado nas lojas nacionais será uma tarefa cada vez mais difícil.












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