
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, confirmou oficialmente o cancelamento do controverso projeto de cartões de identificação digital. A medida, que tinha sido anunciada no ano passado pelo anterior executivo liderado por Keir Starmer, enfrentou uma contestação massiva por parte dos cidadãos britânicos. Conforme avançou o TechCrunch, a decisão surge logo após a tomada de posse do novo chefe de governo, ocorrida na passada segunda-feira.
De acordo com a nova administração de Burnham, as verbas que seriam destinadas ao desenvolvimento e implementação deste programa vão agora ser canalizadas para o orçamento do Estado. O objetivo principal passa por financiar uma redução fiscal destinada a aliviar as faturas de eletricidade das famílias, numa altura em que o custo de vida continua a aumentar no país. John Healy, o recém-nomeado ministro das Finanças britânico, explicou que esta alteração orçamental pretende dar alguma margem de manobra financeira aos agregados familiares e garantir uma maior tranquilidade durante o próximo inverno.
Um projeto dispendioso e envolto em dúvidas
A proposta inicial para lançar estes cartões de identificação digitais tinha sido introduzida por Keir Starmer, que apresentou a sua demissão a 22 de junho. O antigo governante defendia que o sistema gerido pelo Estado permitiria combater o emprego ilegal de migrantes e modernizar o acesso aos serviços públicos essenciais. Contudo, o orçamento previsto para o projeto gerou bastante polémica.
Estimava-se que o sistema nacional custasse cerca de 2,15 mil milhões de euros (1,8 mil milhões de libras) ao longo de três anos. Este valor acabou por ser fortemente disputado pela oposição e por analistas, existindo mesmo alegações de que as verbas necessárias para financiar a iniciativa nunca chegaram a ser efetivamente alocadas no orçamento estatal.
Oposição popular e o fantasma do passado
A rejeição da população britânica a este sistema obrigatório fez-se notar de forma expressiva através das vias institucionais. Uma petição parlamentar contra a medida reuniu quase 3 milhões de assinaturas, tornando-se na segunda maior petição pública registada na história do parlamento britânico. Os críticos e defensores dos direitos civis alertavam que a centralização de dados num documento digital deste tipo abriria portas a uma vigilância estatal excessiva e a potenciais falhas de privacidade.
Esta não foi a primeira vez que o país tentou implementar uma medida semelhante. O cenário atual trouxe à memória dos britânicos um programa muito parecido introduzido nos anos 2000, sob o governo de Tony Blair. Na altura, o projeto acabou por ser completamente revogado em 2011, pouco tempo depois de uma nova coligação liderada pela oposição ter assumido o poder após as eleições gerais. Com este novo recuo, o Reino Unido encerra mais um capítulo na longa e atribulada discussão sobre a identidade digital obrigatória.












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