
A Ubisoft acaba de anunciar uma reorganização profunda da sua estrutura interna, numa tentativa de travar aquela que é considerada a pior crise nos seus 40 anos de história. A gigante francesa revelou um plano estratégico que divide a empresa em cinco grupos criativos distintos, focados essencialmente em Mundos Abertos e jogos como serviço (GaaS), colocando a Inteligência Artificial no centro da sua operação.
Segundo informações detalhadas num rascunho de comunicado, a empresa confirmou o cancelamento de seis títulos em desenvolvimento. Entre as baixas mais sonantes encontra-se o problemático remake de Prince of Persia: The Sands of Time, um projeto que já tinha sofrido várias alterações de estúdio e adiamentos.
Calendário de lançamentos sofre reviravolta
O cenário descrito é de "terra arrasada" para o calendário da editora. Além dos cancelamentos, outros sete jogos sofreram adiamentos significativos. O destaque vai para o suposto remake de Black Flag, um título muito aguardado pelos fãs da saga de piratas, que agora só deverá ver a luz do dia em 2027.
O sucesso deste novo modelo operacional, que conta agora com uma forte influência da Tencent, será decisivo para definir o futuro de franquias vitais como Assassin’s Creed e Far Cry. A empresa corre o risco de perder a identidade artística que a consagrou caso estas mudanças falhem em reconquistar o público.
IA generativa assume o controlo da experiência
A grande aposta tecnológica da Ubisoft para 2026 reside na transição da inteligência artificial de desenvolvimento para uma "IA de frontend". Ao contrário da tendência atual do mercado, que utiliza algoritmos para acelerar a produção de código, a empresa pretende que a IA gere conteúdos em tempo real diretamente para o utilizador, incluindo diálogos e reações.
Esta estratégia apoia-se na evolução dos "NEO NPCs" e na tecnologia "Teammates". O objetivo é criar mundos virtuais com menos elementos pré-programados, onde as personagens reagem de forma orgânica e contextualizada a cada ação do jogador, eliminando a previsibilidade dos scripts tradicionais. Esta abordagem coloca a Ubisoft em rota de colisão com figuras da indústria como Hideo Kojima e Gabe Newell, que defendem a tecnologia apenas como ferramenta de suporte.
Adicionalmente, a empresa mantém os seus investimentos em Blockchain, apesar da forte rejeição que esta tecnologia tem enfrentado por parte da comunidade de jogadores.
Fim do teletrabalho e tensão laboral
Esta "nova era" traz consigo um custo elevado para a força de trabalho da empresa. Além de demissões em massa, a Ubisoft decretou o fim do regime de trabalho remoto, passando a exigir a presença física nos escritórios cinco dias por semana. A medida está a ser interpretada pelos sindicatos como uma forma de "demissão silenciosa", desenhada para forçar saídas voluntárias de funcionários.
O sindicato francês Solidaires Informatique já começou a organizar paralisações em protesto contra estas condições e contra a automação criativa. Para a liderança da empresa, no entanto, esta mudança é considerada vital para garantir a "eficiência coletiva" num mercado AAA que se torna cada vez mais caro e seletivo.










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