
O mundo dos videojogos foi apanhado de surpresa em 2025 com a saída abrupta de Marc-Alexis Côté da Ubisoft, um veterano com 20 anos de casa e responsável pela franquia Assassin’s Creed. Agora, surgem novos detalhes sobre este divórcio litigioso: Côté avançou com um processo judicial contra a editora, alegando ter sido vítima de um despedimento construtivo (indireto) e exigindo uma indemnização milionária.
A ação, que deu entrada recentemente no Tribunal Superior do Quebeque, revela os bastidores de uma reestruturação interna que terá deixado o executivo sem opções viáveis dentro da empresa que ajudou a construir.
"Não foi uma escolha minha"
Segundo os documentos apresentados no tribunal, Côté exige cerca de 1,3 milhões de dólares canadianos (aproximadamente 890 mil euros) em indemnizações e danos. O conflito remonta ao verão de 2025, poucos meses após o lançamento de Assassin’s Creed Shadows, altura em que se tornou claro que o executivo deixaria de liderar a saga.
A origem da discórdia parece estar na criação da Vantage Studios, uma subsidiária da Ubisoft apoiada pela Tencent, destinada a gerir as franquias mais lucrativas da editora. Com esta mudança, a Ubisoft procurou contratar um novo "Chefe de Franquia" baseado em França para supervisionar todas as grandes propriedades intelectuais. Para Côté, isto representava uma despromoção efetiva, já que passaria de reportar diretamente ao CEO Yves Guillemot para responder a uma nova chefia, a menos que estivesse disposto a mudar a sua vida para o outro lado do Atlântico.
Ao recusar a mudança e as funções alternativas propostas — descritas como papéis ambíguos ou de menor relevo —, Côté alega ter negociado a sua saída. No entanto, acusa a Ubisoft de ter anunciado pública e internamente a sua partida como "voluntária" sem o seu consentimento, apanhando-o de surpresa. Na altura, o executivo recorreu ao LinkedIn para esclarecer: "A verdade é simples: eu não fiz essa escolha".
Futuro da saga e cláusulas de barreira
Além da compensação financeira, o antigo líder procura libertar-se de uma cláusula de não concorrência que o impede de assumir funções noutras empresas da indústria dos videojogos. Esta batalha legal surge numa altura sensível para a franquia, que celebra o primeiro aniversário de Shadows e se prepara para o futuro com títulos como Assassin’s Creed Hexe.
Curiosamente, os rumores sobre o regresso de clássicos ganham força, com especulações sobre o lançamento de um remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag nos próximos meses. Enquanto o tribunal decide o destino de Côté, a Ubisoft continua a redefinir a sua estratégia para recuperar o fôlego num mercado cada vez mais competitivo, conforme reportado pela Radio-Canada.










Nenhum comentário
Seja o primeiro!