
A indústria tecnológica passou a última década a debater se os veículos de condução autónoma precisavam de sensores lidar, câmaras de vídeo ou de uma combinação de ambos. Agora, a Ouster apresentou uma resposta definitiva através da sua nova linha de equipamentos apelidada de Rev8, que funde as duas tecnologias. Segundo as informações avançadas pelo TechCrunch, a empresa norte-americana conseguiu criar um sensor capaz de captar imagens a cores e dados tridimensionais de profundidade em simultâneo, eliminando a necessidade de recorrer a aparelhos separados.
O diretor executivo da Ouster, Angus Pacala, destacou que este desenvolvimento demorou cerca de dez anos a ser concluído e descreveu a inovação como o verdadeiro "Santo Graal" para os especialistas em robótica. Historicamente, os engenheiros compravam câmaras e sensores lidar em separado, gastando enormes recursos de processamento para tentar fundir os fluxos de dados de forma fiável. O novo objetivo da fabricante passa por tornar as câmaras autónomas obsoletas, provando que um único módulo pode cumprir todas as funções visuais e espaciais.
O fim da divisão no processamento de dados
O lançamento da série Rev8 ocorre num momento dinâmico para as empresas que desenvolvem este tipo de tecnologia de perceção. O mercado tem passado por uma onda de consolidação profunda, com a Ouster a absorver a Velodyne e com a recente falência da Luminar, que levou à venda dos seus ativos. Simultaneamente, a procura por sensores está a disparar, impulsionada por empresas como a Waymo, que já colocaram os seus robotáxis a circular de forma regular nas estradas públicas e continuam a escalar as suas operações.
A capacidade de combinar informações exatas de profundidade com dados de imagem de alta qualidade revela-se particularmente valiosa para o setor da robótica, que continua a captar avultados investimentos. Para assegurar a qualidade visual do seu sistema nativo a cores, a fabricante colaborou de perto com especialistas da Fujifilm e da DXOMARK. O resultado é um módulo que partilha muitas características com uma câmara moderna de alto desempenho, mas que entrega a informação sob a forma de uma nuvem de pontos 3D pré-processada e colorida.
Arquitetura digital e foco no alcance longo
Em vez de utilizar uma abordagem analógica com múltiplas partes móveis, a Ouster recorre a uma arquitetura digital. A informação é captada diretamente num chip desenhado à medida, utilizando detetores baseados em díodos de avalanche de fotão único. Esta mesma tecnologia está agora a ser direcionada para a captação de imagem na linha Rev8, o que permite alcançar níveis de sensibilidade luminosa superiores aos das câmaras tradicionais. O sistema oferece cor de 48 bits, grande alcance dinâmico e resolução ao nível dos megapíxeis.
Os clientes já estão a receber as primeiras unidades de teste e podem optar por extrair apenas o fluxo de vídeo, apenas os dados do lidar ou a combinação pré-processada de ambos. Dentro desta nova gama, que inclui modelos como o OS0, OS1 e OSDome, destaca-se o OS1 Max. A fabricante afirma que este é o melhor sensor de longo alcance da indústria, capaz de ver até 500 metros em todas as direções com um formato bastante mais compacto do que as alternativas concorrentes. A expectativa é que este modelo específico venha a dominar as aplicações em camiões autónomos de alta velocidade e drones avançados. Embora empresas chinesas como a Hesai também estejam a prometer plataformas semelhantes até ao final do ano, a Ouster confia que a sua integração direta no processador reduzirá drasticamente o trabalho das equipas de engenharia.












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