
Na intensa disputa por talento e audiências, o YouTube está a posicionar-se como a ligação definitiva entre criadores de conteúdo e anunciantes. A plataforma foca-se em promover os seus talentos não apenas como a base das redes sociais, mas também como o centro da publicidade, da televisão, do streaming e do entretenimento em geral.
Durante o evento anual para anunciantes realizado em Nova Iorque, a empresa apresentou um novo leque de programas exclusivos apresentados por nomes de peso, incluindo um formato de viagens com Trevor Noah, uma série documental sobre a Met Gala com Alex Cooper e produções de Kareem Rahma. O apelo aos investidores é claro e passa por financiar diretamente estas séries exclusivas numa plataforma que já representa 12,7% de todo o consumo televisivo, segundo os dados da Nielsen.
A ponte entre as marcas e a criação de conteúdo
Do lado dos criadores, o grande atrativo do YouTube sempre foi a partilha relativamente generosa das receitas publicitárias geradas pelas visualizações. No entanto, a empresa tem vindo a adicionar mais formas de rentabilização, como funcionalidades de compras e uma secção dedicada para as marcas encontrarem os criadores ideais para as suas campanhas. Os anunciantes investem cada vez mais em vídeos patrocinados, onde é possível alternar os patrocinadores após o fim de uma campanha, criando essencialmente um cartaz publicitário em constante atualização.
Com mais de 3 milhões de canais elegíveis para servirem de espaço publicitário, a plataforma disponibiliza ferramentas integradas de IA para auxiliar as marcas na escolha certa. Embora o YouTube tenha tentado criar conteúdo original com celebridades no passado — uma estratégia que acabou por falhar, com o próprio diretor executivo Neal Mohan a admitir que a liderança não era boa a escolher formatos —, a visão atual foca-se em servir de base para o que os criadores já produzem de melhor, atraindo as marcas para financiarem esse trabalho.
A rivalidade com o streaming tradicional
Para reter os talentos, a plataforma necessita de oferecer condições únicas. Apesar de ter desempenhado um papel fundamental na transição dos podcasts para o formato de vídeo, assumindo a liderança nesse segmento, alguns criadores têm migrado para a concorrência, especialmente para a Netflix, que está a construir o seu próprio catálogo de podcasts em vídeo.
Como exemplo desta movimentação, a iHeartRadio levou 15 programas para a plataforma de streaming rival, juntando-se aos primeiros podcasts originais lançados pela gigante do entretenimento, que contam com a apresentação de figuras como o comediante Pete Davidson e o ex-jogador da NFL Michael Irvin.












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