
A Comissão Europeia confirmou a realização de reuniões produtivas com o objetivo de garantir o acesso da Agência da União Europeia para a Cibersegurança ao modelo de inteligência artificial Mythos, conforme avança a Reuters. O foco central desta iniciativa é fornecer à instituição ferramentas tecnológicas de topo para reforçar a defesa das infraestruturas do continente.
Thomas Regnier, porta-voz da Comissão, destacou a importância dos desenvolvimentos recentes em torno desta matéria, confirmando as indicações de que a Anthropic está preparada para colaborar com o organismo europeu. Este acordo não prevê uma abertura comercial ou pública do modelo no espaço europeu, consistindo antes num acesso rigorosamente controlado e restrito às instituições ligadas à defesa e segurança informática.
A capacidade de deteção em sistemas críticos
O Claude Mythos Preview apresenta-se como um modelo generalista não lançado ao público, desenvolvido com capacidades excecionais na área da segurança informática, equiparando-se aos especialistas humanos mais avançados do setor. Este sistema integra o Project Glasswing, uma iniciativa que reúne empresas de peso como a AWS, Apple, Broadcom, Google, JPMorganChase, Microsoft e NVIDIA para melhorar a integridade de software essencial.
Durante as fases de avaliação, o sistema conseguiu identificar milhares de vulnerabilidades zero-day em grandes navegadores e plataformas. Entre os exemplos de sucesso apontados pela empresa encontram-se a descoberta de uma falha com 27 anos no OpenBSD, um problema de 16 anos no FFmpeg e uma cadeia complexa de problemas no kernel de Linux que permitia a escalada de privilégios aos atacantes.
Estratégia de defesa europeia
A utilização de um modelo com este grau de eficácia apresenta desafios únicos. Se por um lado permite descobrir e corrigir falhas de forma célere, a sua libertação sem as devidas restrições poderia facilitar a criação de ferramentas de ataque automatizadas e aumentar o fosso temporal até à aplicação das correções necessárias. No dia 18 de maio, a empresa responsável pelo modelo autorizou os parceiros do projeto a partilhar informações detalhadas sobre ameaças e código desenvolvido, levantando algumas preocupações entre os reguladores.
A Microsoft e a Google já tiraram partido deste acesso antecipado para aplicar correções em sistemas como o Windows e o Android. Para Bruxelas, a dependência exclusiva de decisões tomadas por empresas norte-americanas sobre os limites de utilização destas capacidades representa um risco inaceitável. O acesso da agência europeia a este modelo garante que a região pode avaliar o impacto tecnológico, coordenar respostas defensivas e assegurar que as infraestruturas críticas não ficam em desvantagem perante intervenientes que já operam com este nível de inteligência artificial.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!