
A Força Espacial dos EUA concluiu com sucesso uma complexa missão orbital, denominada Victus Haze, recorrendo a duas empresas do setor privado, a True Anomaly e a Rocket Lab, para realizar operações de aproximação e inspeção de satélites no espaço. O exercício demonstra uma tendência crescente de transferir tarefas de reconhecimento estratégico para o ecossistema comercial.
Segundo as informações partilhadas pelo portal TechCrunch, a operação simulou uma resposta rápida a potenciais ameaças na órbita terrestre. A Rocket Lab, uma forte concorrente da SpaceX, enviou para o espaço a nave Puma apenas 16 horas e 42 minutos após ter recebido a notificação de lançamento, um feito notável dado que a maioria destas operações exige meses de preparação.
Interceção e órbita a alta velocidade
Em órbita, o veículo Jackal, fabricado pela True Anomaly, aguardava para intercetar a outra estrutura. Sem indicações prévias sobre a localização exata do Puma, a equipa utilizou os sensores de bordo para detetar e identificar o alvo a uma distância de dois mil quilómetros. O Jackal aproximou-se significativamente do destino para capturar imagens detalhadas de vários ângulos do componente, regressando depois ao seu ponto de partida orbital.
O encontro ocorreu a velocidades próximas dos 28 mil quilómetros por hora (cerca de 17 500 milhas por hora), o que representa um enorme desafio técnico. Embora outras demonstrações privadas já tenham efetuado tarefas de manutenção ou remoção de detritos a ritmos mais lentos, os testes da Victus Haze destacam-se pela urgência e prontidão operacional. Nas próximas semanas, estão previstas novas simulações com maior grau de dificuldade, incluindo manobras de evasão.
Financiamento e o papel do setor privado
Fundada em 2022 por antigos especialistas militares, a True Anomaly desenvolve o hardware e a tecnologia de software necessários para apoiar as novas atribuições de segurança. Até ao momento, a empresa já captou mais de mil milhões de dólares em financiamento, impulsionada por uma ronda de 650 milhões de dólares obtida em março.
A startup foca-se agora em competir por novos contratos inseridos no programa Andromeda da Força Espacial, que conta com um orçamento de 6,2 mil milhões de dólares para reconhecimento manobrável. Para os utilizadores e observadores do mercado europeu, este progresso evidencia o papel crucial e a agilidade que o setor privado assume na defesa e monitorização espacial. Embora os custos de investimento direto não tenham um equivalente simples em Portugal, esta missão comprova que a demonstração prática de competências é o argumento mais forte para vencer concursos nesta indústria em rápida evolução.












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