
Apesar de enfrentar uma quebra acentuada na procura global, a Xiaomi estabeleceu objetivos ambiciosos para o resto do ano. Segundo um relatório divulgado pelo conhecido analista Ice Universe, a fabricante chinesa viu as suas vendas de telemóveis afundarem 19,2% no primeiro trimestre de 2026, somando 33,8 milhões de unidades distribuídas entre janeiro e março. O registo representa um recuo face ao mesmo período de 2025, motivado em grande parte pelo encarecimento de componentes essenciais à escala global.
Contudo, a marca optou por não recuar na sua estratégia anual. Em vez de rever as projeções em baixa, a liderança da empresa elevou a meta de produção de 90 milhões para 110 milhões de smartphones para a totalidade deste ano.
Estabilização dos chips de memória dá fôlego ao mercado
O reposicionamento estratégico sugere que a cadeia de abastecimento da fabricante antecipa uma lufada de ar fresco na economia global. O setor tem sido severamente fustigado por uma forte crise no fornecimento de semicondutores, mas os dados internos apontam para que os preços dos chips de memória estejam finalmente a estabilizar ou a regressar a valores normalizados.
A maior parte do volume de distribuição da Xiaomi deverá continuar concentrada nos equipamentos de gama de entrada e modelos mais acessíveis. Esta categoria foi precisamente a mais penalizada pela inflação dos componentes nos últimos meses, uma vez que a margem de lucro reduzida nestes dispositivos torna qualquer subida de custos de fabrico incomportável para os consumidores.
Impacto estende-se aos modelos de topo de gama
As dificuldades factuais não afetaram apenas os telemóveis mais baratos. O presidente da fabricante, Lu Weibing, relatou recentemente que as configurações que integram 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento interno ficaram cerca de 1500 CNY mais caras por unidade em comparação com o ano transato.
Numa conversão direta, este acréscimo representa uma subida de aproximadamente 188 € no custo de produção de cada dispositivo topo de gama. Para quem acompanha os lançamentos da Xiaomi em Portugal, isto traduz-se na necessidade de o mercado ver o fim definitivo desta crise de hardware para que os preços finais dos telemóveis premium possam recuar nos expositores nacionais.












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