
As redes sociais voltam a estar no centro de uma batalha legal severa nos Estados Unidos. O Social Media Victims Law Center (SMVLC) submeteu uma ação judicial por danos pessoais e homicídio negligente contra a Meta, a ByteDance (dona do TikTok), a Snap e a Google. O processo acusa estas empresas de desenvolverem intencionalmente produtos perigosos e viciantes, que estarão diretamente associados à morte de quatro jovens.
Algoritmos focados na vulnerabilidade psicológica
De acordo com a denúncia avançada pelo organismo jurídico, as plataformas terão ignorado os avisos constantes emitidos pelos seus próprios investigadores internos. A acusação detalha que as tecnológicas ocultaram provas dos malefícios causados e estruturaram sistemas capazes de traçar perfis psicológicos de menores em momentos de fragilidade emocional.
A monitorização do comportamento dos utilizadores servia para impor conteúdos nocivos, como publicidade agressiva a dietas e produtos de beleza, filtros de alteração de aparência física e ferramentas de comparação social. Esta estratégia, desenhada para multiplicar os níveis de envolvimento na rede, terá desencadeado quadros graves de depressão, automutilação e ideação suicida nos jovens afetados. Os óbitos em causa ocorreram entre julho de 2024 e setembro de 2025, nos estados da Carolina do Norte, Minnesota, Tennessee e Texas.
Pressão jurídica sobre o ecossistema digital
O processo foi formalizado no estado de Delaware, após a abertura do segredo de justiça sobre documentos internos das tecnológicas em anteriores litígios estaduais e federais. Em reação à queixa, um porta-voz da Google afirmou que o fornecimento de uma experiência segura e saudável para o público jovem sempre esteve no cerne do trabalho da empresa, assegurando que os serviços e as políticas são desenhados em articulação com especialistas em parentalidade e saúde mental. A empresa enviou condolências às famílias e indicou que se encontra a analisar os contornos da ação legal.
Este cenário de responsabilização corporativa surge na mesma altura em que a União Europeia aperta a fiscalização e avança com sanções às plataformas por falhas na segurança de menores. Paralelamente, noutras frentes jurídicas americanas, quatro estados processaram recentemente a Meta devido ao design viciante do Facebook e do Instagram, enquanto a própria empresa, a Snap e o TikTok fecharam um acordo financeiro para encerrar um processo movido por um distrito escolar no estado de Kentucky.












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