
Quatro membros de uma organização criminosa especializada em ciberataques foram detidos na Polónia, acusados de comprometer parceiros de telecomunicações para realizar ataques de SIM swapping. A operação policial, detalhada pelo Gabinete de Cibercrime da Polónia, contou com o apoio direto de agências norte-americanas, incluindo o FBI e a Homeland Security Investigations.
Este tipo de crime, que também tem sido uma ameaça crescente para os utilizadores em Portugal, envolve a apropriação indevida do número de telemóvel da vítima. Ao clonar o cartão SIM, os atacantes intercetam mensagens SMS e emails de recuperação, contornando a autenticação de dois fatores para aceder a contas bancárias e plataformas digitais. O combate ao cibercrime exige uma constante cooperação internacional devido à complexidade destas redes distribuídas.
O mecanismo do golpe nas telecomunicações
Os investigadores revelam que o grupo utilizou engenharia social e software especializado para obter acesso não autorizado às infraestruturas de entidades parceiras das operadoras de telecomunicações. Com este acesso privilegiado e a interceção de contas de email de funcionários, os suspeitos conseguiram manipular os registos e transferir os números das vítimas para cartões sob o seu controlo. Isto permitiu-lhes extrair os dados necessários para assumir o controlo total de carteiras em bolsas de criptomoedas.
Impacto global e lavagem de dinheiro
As autoridades indicam que a estrutura criminosa tratava esta atividade como uma fonte de rendimento regular. Os fundos roubados, avaliados em várias dezenas de milhões de zlotys polacos, o equivalente a mais de 4,6 milhões de euros, foram branqueados através de uma rede financeira distribuída, recorrendo a contas bancárias em vários países e a diversas carteiras digitais.
Os quatro indivíduos encontram-se em prisão preventiva e enfrentam acusações de participação em organização criminosa, intrusão em sistemas informáticos para cometer roubos e branqueamento de capitais. A moldura penal máxima para estes crimes pode chegar aos 25 anos de prisão. Embora a polícia não tenha divulgado os nomes de forma oficial, investigadores independentes na área da blockchain identificaram um dos suspeitos como Wojtek Kulisz com base nas imagens divulgadas durante as buscas.












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