
A liderança de uma das redes sociais mais influentes do mundo traz consigo responsabilidades gigantescas, mas também uma remuneração que faz girar cabeças. Adam Mosseri, o homem forte do Instagram, viu o seu pacote salarial ser exposto publicamente durante uma audiência judicial em Los Angeles, num processo que coloca a gigante tecnológica no banco dos réus.
Entre defesas sobre a segurança da plataforma e comparações com maratonas de séries, os números revelados mostram que a gestão de topo da Meta é recompensada com valores que podem ascender às dezenas de milhões.
Milhões na conta e bónus de desempenho
Durante o testemunho prestado esta quarta-feira, Adam Mosseri foi pressionado a divulgar os detalhes da sua remuneração. A questão surgiu no âmbito de um processo movido por uma jovem, identificada como Kaley G.M., que alega ter sofrido danos devido à exposição precoce e intensa a plataformas como o Instagram e o YouTube.
Confrontado pelo advogado de acusação sobre se a empresa prioriza os lucros em detrimento da segurança dos utilizadores, Mosseri detalhou os seus ganhos. O executivo revelou que o seu salário base ronda os 900.000 dólares (aproximadamente 840 mil euros) anuais.
No entanto, a verdadeira fatia de leão advém dos bónus. Dependendo do cumprimento de objetivos e do desempenho, a remuneração total de Mosseri dispara, situando-se habitualmente acima dos 10 milhões de dólares (cerca de 9,3 milhões de euros). Em anos excecionais, o valor total que o líder da rede social leva para casa pode atingir a vertiginosa quantia de 20 milhões de dólares (perto de 18,6 milhões de euros).
"Vício clínico" ou maratona de séries?
O julgamento, que está a ser encarado como um caso de teste para dezenas de outros processos semelhantes nos Estados Unidos, foca-se na responsabilidade das plataformas no "vício" dos jovens. Mosseri, contudo, rejeitou categoricamente a ideia de que o uso intensivo da rede social constitua um vício clínico no sentido médico do termo.
Para ilustrar o seu ponto de vista, o executivo recorreu a uma analogia com o consumo de entretenimento televisivo. Segundo reportado pela CNN, Mosseri afirmou: "De certeza que devo ter dito que era viciado numa série da Netflix que via até altas horas da noite, mas não acho que isso seja o mesmo que um vício clínico".
A defesa de Mosseri baseou-se na premissa de que a segurança e o lucro não são mutuamente exclusivos. O gestor, que lidera o Instagram desde 2018, argumentou que proteger os utilizadores, especialmente os menores, é benéfico para o negócio a longo prazo. Segundo ele, qualquer decisão que favoreça a empresa à custa do bem-estar dos utilizadores acabaria por ser "muito problemática" para a sustentabilidade financeira da plataforma.
Este depoimento de Adam Mosseri serve de "aperitivo" para o momento mais aguardado do julgamento: a audição de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que está agendada para o próximo dia 18 de fevereiro.










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