
A entrada da Samsung no mercado dos óculos inteligentes está cada vez mais próxima. Durante o Mobile World Congress, em Barcelona, Jay Kim, vice-presidente executivo do negócio móvel da empresa, partilhou os primeiros detalhes oficiais sobre o novo equipamento, revelando uma forte dependência do telemóvel e uma aposta clara na interação com o ambiente, segundo avançou a CNBC.
Uma extensão do telemóvel orientada pela inteligência artificial
De acordo com o executivo, os óculos contarão com uma câmara integrada à altura dos olhos. No entanto, não funcionarão de forma totalmente independente. O dispositivo estará constantemente ligado ao telemóvel do utilizador, que assumirá a tarefa pesada de processar toda a informação visual captada.
A verdadeira força motriz por trás deste desenvolvimento é a inteligência artificial. Com o avanço de plataformas como o Gemini da Google ou o ChatGPT, a marca procura novas formas de interação que vão muito além da tradicional digitação num ecrã. Kim explicou que o ponto crucial é a inteligência artificial conseguir compreender exatamente para onde o utilizador está a olhar. A câmara alimenta essa informação para o telemóvel, que a processa e devolve dados úteis e contextuais.
Curiosamente, quando questionado sobre a presença de um ecrã nos próprios óculos, o executivo preferiu não confirmar, sugerindo apenas que os utilizadores já possuem outros equipamentos, como o telemóvel ou o relógio inteligente, caso precisem de interagir com um ecrã físico.
O caminho para o lançamento e a parceria de peso
A fabricante sul-coreana não está sozinha nesta empreitada. Desde 2023 que colabora estreitamente com a Qualcomm e a Google no design do sistema operativo, semicondutores e hardware focados na realidade mista. O primeiro fruto desta parceria foi o capacete Galaxy XR, lançado no ano passado, mas a visão a longo prazo parece apontar para formatos mais leves e subtis. O próprio Jay Kim admitiu que, embora os capacetes de realidade mista continuem a existir, não se tornarão um negócio de escala massiva, ao contrário dos óculos, que têm um apelo muito mais abrangente no dia a dia.

O objetivo da empresa é ter o produto pronto para a indústria ainda este ano. Esta janela temporal foi também corroborada pelo CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, que confirmou a janela de lançamento para este ano. Amon demonstrou grande entusiasmo com o formato, destacando a proximidade natural aos olhos, ouvidos e boca do utilizador. Este posicionamento é o cenário ideal para experiências baseadas em agentes de inteligência artificial, capazes de realizar tarefas de forma autónoma, como pedir um táxi ou reservar um hotel apenas com comandos de voz e análise do contexto envolvente.
Com a Meta a dominar atualmente 82% da quota global de óculos inteligentes através dos seus modelos Ray-Ban, a concorrência prepara-se para entrar num segmento competitivo, mas que ainda está nos seus primórdios. Como referiu Cristiano Amon, o mercado atual assemelha-se aos primeiros dias dos smartphones, onde o verdadeiro salto aconteceu quando o ecossistema passou a contar com milhares de aplicações disponíveis.












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